domingo, 4 de setembro de 2011

As potencialidades da história local para a produção de conhecimento em sala de aula: o enfoque do município de Sorocaba

O autor, Arnaldo Pinto Júnior,a partir do texto: Raízes do Brasil, do historiador Sérgio Buarque de Holanda, faz uma reflexão sobre seu trabalho como professor, frente as práticas e ideias consideradas hegemônicas e inquestionáveis no ensino de História em sala de aula. O modelo europeu de produzir concepções através de um “olhar generalizante”, tem apresentado como resultado, a desvalorização da história local que perde sua peculiaridade, sendo colocada como parte da história geral, mantendo  assim, as versões “ verdadeiras e únicas” da elite dominante. Isso pode ser percebido no  ensino de História aos alunos.
Tais ideias, impostas muitas vezes como verdadeiras, manifestam-se na falta de identificação do aluno com seu próprio espaço e tempo e afastam esses, de uma percepção da realidade de sua comunidade, cidade e do seu cotidiano, conforme cita: “Verificamos um distanciamento entre os alunos e os temas estudados em sala de aula, sem contarmos a não relação com a sua comunidade, sua cultura ou seu país.” 3º parágrafo. p.37.Em outras palavras, essa maior  identificação  do aluno com outras culturas do que a sua própria, faz-se por meio da intensidade e variedade de informações e imagens que a mídia disponibiliza. Ele diz: “[...] Muitos são os alunos que se sentem mais próximos das praias da Barra da Tijuca, do estádio do Morumbi, das ruas e avenidas de Nova York, do que dos espaços públicos da cidade em que eles residem.”
Para Arnaldo Pinto Júnior, a proposta da elaboração desse artigo, é discutir o método tradicional de uma visão dominante no ensino de história, e propor também, que a história local seja aplicada e praticada no ensino fundamental e médio .Para ele, as experiências de vida dos alunos somadas as pesquisas,resultaram em bons trabalhos,possibilitando então que esse se reconheça, valorize contribua e problematize suas raízes familiares e culturais,fazendo uma ligação entre diferentes momentos da história, aproximando o passado do presente.
O texto apresenta, também, a cidade de Sorocaba de 1903, como palco de discussão do novo em substituição ao velho, a memória perdendo espaço para a modernidade, apresentando uma proposta de pesquisa sobre a restauração da memória local, das experiências vividas, ou histórias vividas pelos moradores da cidade. O município começa a ganhar ares de um despertar para modernidade, para o “futuro” no momento em que alguns setores da sociedade encabeçam essa ideia, sendo apelidada de Manchester Paulistana. A valorização e manutenção da memória, passado, se  esbarra no interesse  do “progresso.” Os idealistas dessa modernidade, a elite econômica dominante, entendia que essa modernidade significaria o avanço, o progresso e a melhoria de vida dos habitantes de Sorocaba, São Paulo e Brasil.

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